Dúvidas sobre arbitragem - AN Édson Nogueira Duarte
Arbitragem

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Pergunta de Igor Damasceno Reis - São Sebastião do Paraíso/MG.

Pode o árbitro se recusar a chamar o comitê de apelação quando requisitado pelo jogador?

Prezado Igor, o árbitro não pode se recusar a chamá-lo por ser um direito do jogador. No entanto, é mais adequado que busquemos um dos próprios integrantes do comitê de apelação para fazer nossa reclamação. O motivo é que o comitê irá julgar uma decisão do árbitro - a favor ou contra ele.

* O comitê de apelação é imprescindível para o bom andamento de qualquer campeonato. Em geral, é composto por três integrantes que decidirão as questões polêmicas tomadas em algum momento pelo árbitro. Basta o jogador fazer a reinvidicação que o comitê se reunirá e tomará o caminho que julgar mais acertado para a situação. Quando se tratar de eventos oficiais, o enxadrista deverá pagar uma caução em dinheiro (para os da CBX é de praxe a quantia de R$100,00). Se ganhar a causa, terá seu dinheiro de volta. Caso perca, a quantia ficará para a organização da prova. Isso é necessário para evitar pedidos desnecessários por parte dos participantes, que impediria o ritmo natural da competição.
 


 

Pergunta de Gérson Peres Batista - São Sebastião do Paraíso/MG.

Qual a postura ideal do árbitro durante um torneio?

O árbitro deve ter sempre a preocupação de manter o melhor desenvolvimento possível da competição a qual esteja responsável, evitando ao máximo os conflitos. Se o torneio estiver transcorrendo normalmente, o árbitro não deve "aparecer".

 


 

Pergunta de Hamilton Neto Funchal - São Sebastião do Paraíso/MG.

Durante uma partida meu adversário faz um lance irregular ou toca em uma peça e move outra, e logo em seguida se levanta da mesa sem que eu tenha tempo de lhe comunicar tal feito (talvez por eu ter levantado da mesa também). O que devo fazer então?

O fato de seu adversário se levantar da mesa não anula o lance irregular e conseqüentemente o seu direito de reclamar, neste caso você pode parar o relógio e solicitar a presença do árbitro, sendo que se o adversário confirmar que tocou na outra peça poderá exigir que a movimente, porém se o seu adversário alegar que não tocou na peça o árbitro nada poderá fazer, pois fica a palavra de um contra a do outro jogador, e no Brasil existe uma lei que é pro-réu, ou seja, na falta de provas, absolva! E, esta lei deve ser usada também no xadrez.
 

 


 

Pergunta de Mário Vaz - Santo André/SP.

Um jogador (A)tem mais ou menos 3 minutos, no último controle de tempo. O seu adversário (B) tem mais ou menos uns 30 segundos, também no seu último controle de tempo.
O jogador (A) faz um lance irregular e o jogador (B) pára o relógio e chama o árbitro para comunicar a irregularidade.
Neste meio tempo em que o árbitro está se dirigindo à mesa, o tempo do jogador (B) cai - ele parou o relógio, só que este estava com defeito e ele não percebeu.
Agora o jogador (A) reclama o ganho da partida pela queda da seta do adversário.
Minha dúvida é, em duas hipóteses:
1- O árbitro vinha se dirigindo à mesa e viu que o tempo do jogador (B) caiu antes mesmo que fosse comunicado do lance irregular de (A); 2- O árbitro vinha se dirigindo à mesa e não percebeu que o tempo caiu.
Nota: nas duas hipóteses, os diversos jogadores que estavam em volta da mesa viram que quando o jogador (B) chamou o árbitro, ele ainda tinha mais ou menos 30 segundos e que o tempo caiu após o árbitro ter sido chamado.
Como proceder?
a) Aumentar o tempo de (B) em 1 minuto e seguir a partida?
b) Considerar a queda no tempo de (B) e dar a vitória a (A)?
c) Consultar as pessoas que estavam em volta da mesa sobre o fato do tempo ter caído antes ou depois do árbitro ter sido chamado?
Desde já agradeço a resposta.
Obs: este fato aconteceu em um torneio na minha cidade e teve muita repercusão!


Realmente é uma situação que deixa o árbitro numa bela confusão.

1- Pelas regras de xadrez a opinião de terceiros não deve prevalecer, portanto o fato da platéia opinar, não deve ser preponderante na decisão do árbitro.

2- Se o árbitro viu que a seta estava em pé no momento do lance impossível, e constatou que o jogador tentou parar o relógio sem sucesso, ele deverá abonar o jogador com dois minutos (e não um apenas).

3- Porém, se o árbitro não constatou o fato, ele deverá consultar ambos os jogadores, se for consenso que o jogador dispunha de 30 segundos quando ocorreu o lance impossível, o árbitro deverá abonar dois minutos e seguir a partida. Porém, se não houver consenso entre os jogadores, o árbitro deverá seguir a regra, que diz: para qualquer reclamação, o jogador deverá fazê-la com a seta em pé, e neste caso, no momento da reclamação a seta esta caída. Portanto, perde-se o jogo.

Note que o bom funcionamento do relógio é de responsabilidade do jogador testar seu perfeito funcionamento, antes do início da partida.
 

 


 

Pergunta do enxadrista Pedro.

No xadrez rápido (entre 15 e 60 minutos) pode ser declarado empate a uma partida em que o jogador com vantagem, mas que por apuros no tempo, solicita empate, quando este:

1. Detém vantagem de várias peças a mais?
2. Possui final ganho?
3. Tem leve superioridade?

Obs.: conheço árbitros que só consideram empate a partir do momento em que o adversário do solicitante não tiver material para mate, mesmo havendo todas as peças do jogador contra rei e peão (regra do xadrez relâmpago). Muitos jogadores pensam que o empate ocorre apenas por repetição de posição, acordo, afogamento, queda de duas setas e insuficiência de material. Sou a favor do bom xadrez. O relógio é um acessório. A regra não pode beneficiar o jogador que não se esforça por vencer a batalha no tabuleiro. Acredito que todas essas polêmicas devem ser regulamentadas para evitar as tradicionais discussões na maioria dos torneios.


O árbitro deve declarar empate, nas situações citadas, se o jogador em vantagem posicional solicitar e desde que o pedido seja feita antes da queda da seta. O árbitro pode, inclusive, declarar o empate após a seta ter caído.
O que ocorre é que às vezes a posição de empate não é tão clara, ou a vantagem não é tão efetiva, porém se a posição é tão nítida como a que você descreveu, o empate deve ser declarado pelo árbitro.

 


 

Pergunta de Marcius Gomes Brandão - Ceará.

Num torneio de 30 minutos, dois jogadores disputam um final com grande despreocupação, sem perceberem que as duas setas já haviam caído e sem a menor chance de descobrir qual caiu primeiro. O que fazer nestas situações.

Neste caso específico o árbitro deverá declarar empate, pois ambas as setas estão caídas. Mesmo que o árbitro puder identificar qual seta caiu primeiro, o resultado deverá ainda ser empate, já que no ritmo de xadrez dinâmico a seta é responsabilidade exclusiva do jogador, não cabendo ao árbitro advertir sua queda. E a regra diz que o jogador poderá acusar a queda da seta do adversário e renvindicar o ponto na partida, desde que sua própria seta esteja em pé.

 


 

Pergunta de Tiago Bonamigo - Passo Fundo/RS.

Num torneio em Caxias do Sul, no ano 2000, houve o fato que vou relatar:
O jogador "A" apertado no tempo vinha solicitando empate ao árbitro, mas este lhe negava. A posição ia ficando mais vazia e cada vez mais nítido o empate. Porém, o jogador "A" desistiu de pedir empate. Após uma série de lances produziu uma posição em que havia rei e peão contra rei e peão. Os reis estavam para capturar os peões, sendo que em um lance o rei preto tomaria o peão branco e o rei branco tomaria o peão preto.
Contudo, na vez de seu adversário (o jogador "B") jogar, este notou que havia caído a seta do jogador "A".
Seguiu-se uma polêmica. O árbitro deu vitória para o jogador "B", mas o comitê decidiu por empate e o árbitro teve que acatar esta decisão. O jogador "B" acabou se retirando do torneio em sinal de protesto.
Queria saber se a decisão mais correta era a do árbitro ou a do comitê, e por quê? Sei que há uma regra que diz que o árbitro pode postergar sua decisão e ainda declarar empate com a queda da seta. Ademais, creio que o jogador "A" deveria persistir na solicitação de empate ainda que sujeito a penalidades, mas tudo para que não perdesse a partida.
A FIDE tem que restringir a liberdade de interpretação do árbitro para evitar confusões deste tipo. Já é hora!


1. O jogador "A" pediu empate algumas vezes e todas foram negadas pelo árbitro, o que já indica que ele deveria acrescentar 2 minutos ao tempo do adversário. Fora isso, se o árbitro negou o empate, significa dizer que ele decidiu sobre aquele pedido, não restando mais pendência de pedido de empate para depois da queda da seta. Só por esse fato, a decisão de vitória do jogador "B" deveria prevalecer, não cabendo o empate por adiamento.

2. A decisão de empate dos casos do Artigo 10.2 é irrecorrível. Assim, não poderia ter sido reunido o comitê de apelação para julgar o caso. O referido comitê errou duas vezes: a primeira ao receber o recurso, incabível na espécie; e em seguida, ao reverter a decisão do árbitro, pois não havia pedido de empate pendente de julgamento, o que dava a vitória para o jogador "B".

* A resposta teve a colaboração do AN Pablyto Robert.

 

 

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