André Cajal
Boletins Por Matheus Peres Batista Quinta-Feira, 06 de junho de 2013

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Por Newton Arruda

 

Newton Arruda

Foto: arquivo CXOL

 

Das cajaladas que vez ou outra levava em minha passagem pelo xadrez, nenhuma foi do inspirador do termo, André Cajal, falecido neste início de junho. Até porque eu não jogava. Mas ele também dava suas cajaladas fora do tabuleiro, sempre com fino humor. Também dessas escapei.

 

Nosso relacionamento sempre foi cordial. Eu o respeitava como enxadrista, e ele a mim como pai de jogador (isso com certeza) e como informante de torneios e afins (isso dava-me a impressão). Pouquíssimo relacionado com esta internet, às vezes me telefonava para saber de uma ou outra competição, ou para trazer alguma informação, sempre aproveitável.

 

Era um tipo controverso, nada vaidoso, muito espirituoso - chegava para um garoto que estava começando no esporte e perguntava: "Gosta de xadrez?" Após a resposta afirmativa, cajalava: "E por que não aprende?" Havia um frequentador do TCP de sobrenome Rodão. Ao vê-lo emparceirado com ele nos 'Relâmpagos' das quintas-feiras, deu de ombros: "Desse ganharei de roldão..."

 

Cajal morreu no último sábado, 16h10. Nessa altura da tarde desse dia da semana, ele durante muitos anos iniciou sua participação nos outrora concorridos - atualmente não sei como andam - torneios-relâmpago do Clube de Xadrez São Paulo. Nos seus cento e tantos anos, esta agremiação recebeu milhares de jogadores, do Brasil e do mundo. Creio que muito poucos, senão nenhum, com a peculiaridade do Dr. André Cajal, talvez a "sua mais completa tradução".