A Liga do Enxadrista informa que o Jornal O Regional entrevistou o A.I. Antonio Bento. Acesse!
Entrevistas Por Vanessa Rodrigues Quarta-Feira, 18 de maio de 2016

O número ‘1’ do Xadrez Revela a Importância do Esporte

Antonio Bento, Árbitro Internacional de Xadrez (AI) é o número ‘um’ do esporte no Brasil. Ele é o entrevistado de O Regional.

 

O REGIONAL – Como começou sua carreira no xadrez?

Antonio Bento – As primeiras competições oficiais que joguei ocorreram no ano de 1973, ocasião em que fui transferido para Brasília, em março de 1973.  
 
O REGIONAL – Atualmente o senhor é árbitro internacional e membro do Comitê de Arbitragem da FIDE (Federação Internacional de Xadrez), como avalia o cenário atual do xadrez no país e no exterior?

Antonio Bento – O esporte xadrez é um dos que mais têm competições no planeta. 
A FIDE, Federação Mundial, é uma das federações que têm mais filiados após a FIFA. As Olimpíadas Mundiais de Xadrez são realizadas de dois em dois anos e conta com a participação de milhares de enxadristas do planeta.
No ano de 2015 houve recorde de torneios de xadrez pensado, rápido e blitz. Desde 2013 há sucessivos aumentos de competições abertas no país. 
O cadastro de jogadores da Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) deve alcançar o expressivo número de 50 mil jogadores ainda neste semestre. Nas competições escolares há milhares de jogadores que não têm registro na CBX.
Acho que o xadrez brasileiro atravessa sua melhor fase apesar da crise política e econômica atual.
 
O REGIONAL – Quando despertou o interesse de ser árbitro?

Antonio Bento – Meu interesse pela arbitragem de competições enxadrísticas surgiu no próprio ano de 1973. Na época havia poucos árbitros registrados na CBX. E era bem reduzido o número de árbitros brasileiros que pertenciam ao quadro da Federação Internacional.
Assim que me aposentei, reiniciei meus estudos da legislação e regras do xadrez. 
A primeira vez que fiz a tradução da lei do xadrez foi em 1996, ocasião em que foi editada a lei aprovada no Congresso da FIDE realizado em Yerevan/Armênia. 
A lei do xadrez é editada de quatro em quatro anos. Divulguei a tradução que foi muito bem recebida pela comunidade enxadrística brasileira e demais países de Língua Portuguesa. Foi uma experiência gratificante.
E a partir daí, traduzi as leis editadas em 2000, 2004, 2008 e 2013, bem como comentado as mudanças ocorridas na própria internet. 
No site da CBX há uma versão traduzida da última lei do xadrez disponível para download para internautas de todos os pontos do planeta.
A última alteração da lei do xadrez foi realizada no Congresso de Tallinn, Estônia e está vigorando desde julho de 2014. Foi a mais profunda ocorrida nos últimos anos. 
 
O REGIONAL – Como foi à experiência com a cartilha do xadrez?

Antonio Bento – A cartilha de xadrez elaborada com os meus caros amigos MI Sandro Trindade, MF Adriano Valle e o Professor PhD Antonio Villar Marques de Sá em 1993 vingou e foi reeditada duas vezes. 
Tivemos a especial satisfação de saber que ela foi distribuída pelo Ministério da Educação – MEC a prefeituras de todos os rincões do país. 
 
O REGIONAL – O xadrez deveria ser uma disciplina nas escolas? Por quê?

Antonio Bento – Com certeza, o xadrez deveria ser disciplina ofertada aos alunos dos ensinos fundamentais um e dois. Porque o xadrez é o segundo esporte mais praticado no mundo, perdendo apenas em termos numéricos para o futebol.
 
O REGIONAL – Quais os principais benefícios para o aluno e para o jogador?

Antonio Bento – Os principais benefícios do ensino do xadrez são: 1) Disciplina e melhora a paciência e concentração dos alunos e lhes proporciona lazer para o resto da vida. 2) Facilita o estudo da matemática, física e também de línguas estrangeiras. 3) É uma das maneiras mais agradáveis de ginástica da mente, aprimorando a criatividade. 4) Desenvolve o raciocínio lógico e o QI. 5) Estimula auto-estima, auto-controle e auto-confiança. 6) Exercita áreas do cérebro que desenvolvem a memória, cálculo e capacidade de abstração
Além disso, o jogo pode ser presencial e virtual.
É, portanto um jogo inclusivo: aceita diferenças, tais como, de faixa etária, física, sexo, origem e classe social.
Jogando xadrez, você aprende a interagir com o ambiente e a respeitar o semelhante.
Parafraseando Goethe, “Xadrez é a ginástica da mente”.
 
O REGIONAL – O que precisa para ser bom árbitro?

Antonio Bento – Para ser um bom árbitro, os dez mandamentos são: 
1) Estar atualizado com a lei do xadrez e com os regulamentos da FIDE;
2) Aplicar a lei a todos, sem distinção;
3) Agir com imparcialidade e bom senso;
4) Tratar com cordialidade e respeito a todos, jogadores, árbitros, organizadores e espectadores;
5) Ser dedicado e pontual;
6) Ser discreto nas discussões;
7) Coibir o “cheating” que significa ação fraudulenta;
8) Nunca deve perder o bom humor, mesmo sob pressão;
9) Rejeitar acordos espúrios;
10) Pautar suas atitudes pelos padrões da ética.
 
O REGIONAL – Atualmente qual o campo para atuar como árbitro?

Antonio Bento – O árbitro pode atuar na Organização e Arbitragem de Eventos.
Alguns árbitros abriram micro empresas para atuarem na área de “Eventos & Lazer” que é um nicho interessante a ser explorado.

O REGIONAL – Desde 1999 o senhor ministra cursos periódicos presenciais e a distância de arbitragem. Qual o método de ensino é utilizado?

Antonio Bento – Em função disso tenho feito várias palestras sobre as mudanças, explicando detalhadamente, por intermédio de arquivos “power point”, como funcionava a lei editada em Dresden, em 2008, e como ficou, depois da expressiva mudança da que foi editada em Tallinn. Os cursos tem sido muito bem recebido. Tenho sido responsável pelo ingresso no quadro de árbitros da CBX de centenas de árbitros. 
É bom lembrar que o número de árbitros no final de 2004 era inferior a 200. Ainda neste semestre, o quadro de árbitros deve atingir o expressivo número de 1000 árbitros.
 
Antonio Bento de Araujo Lima
Quem é:
Antonio Bento de Araujo Lima, 71 anos, filho de historiador, filósofo, escritor e crítico. Bacharel em Ciências Contábeis e especialização em Mercado Financeiro e de Capitais com cursos nos USA, França e Japão. Também é funcionário público aposentado do Banco Central do Brasil de 1967 a 1996 tendo sido Chefe de Departamento do BACEN (1985 a 1990).
No xadrez já teve várias atuações na Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) – de diretor de relações públicas a presidente. Dono de um currículo extenso de títulos atribuídos durante sua carreira e outorgados. Atuou também como membro em comissões internacionais da FIDE e em delegações brasileiras participando de várias Olimpíadas Mundiais na Iugoslávia, Polônia, Peru, Turquia, Itália e Alemanha. Também é destaque com sua atuação como árbitro chefe de torneios importantíssimos. Já participou de diversos seminários e cursos de arbitragem desde 1999.
Atua como árbitro em diversas competições desde 1973 e é responsável pelo ingresso no quadro de árbitros da CBX de centenas de árbitros.
 
Leia a entrevista no jornal O Regional.
 
 
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