Forças da Natureza
Crônicas Por Gérson Batista Sábado, 02 de janeiro de 2016

 

Crédito da imagem: jorgianecarvalho.blogspot.com.br

 

Por Vanessa Rodrigues*

 

Forças da Natureza 

Alguns dias atrás eu fui obrigada a desacelerar. Tinha saído de casa por volta do horário do almoço para ir a uma loja infantil comprar alguns presentes e ainda passaria no Clube de Xadrez da cidade para levar alguns jogos e tabuleiros antes de seguir para minhas outras tarefas. Não era nada urgente, mas, como já havia planejado todo o meu o dia, lá fui eu, levando comigo minha filha e minha pressa habitual. Eram tantas atividades a serem realizadas naquele dia que não havia sequer um segundo a perder. O dia estava nublado, mas não parecia que a chuva cairia por aquelas horas. Seguimos confiantes em minha própria previsão do tempo.

 

Bom, dá para imaginar que eu não entendo nada de tempo e quando estava pagando minhas compras, a chuva começou a cair, e já veio forte, com direito a ventos e trovoadas. Onde essa chuva toda estava escondida que eu não a vi?

 

Isso não importava mais. Havia apenas a realidade da pressa e da chuva que me segurava na loja com minha filha. Eu olhava apavorada aquela aguaceira toda e minha cabeça girava em torno do planejamento das atividades do dia que estava literalmente indo por água abaixo.

 

Minha respiração ficou superficial, parecia que eu queria parar a chuva apenas para poder cumprir minha agenda e, de repente, como que num sopro de vento, percebi o quanto abençoado era aquele momento. Não havia nada que eu pudesse fazer, nada estava sob meu controle e eu devia apenas relaxar, respirar e agradecer por esta parada obrigatória que me fez desacelerar.

 

 Então, comecei a olhar a chuva, a admirar a enxurrada que rapidamente se formava na rua e também na calçada. Observei que do outro lado da rua, algumas famílias se escondiam embaixo do toldo de uma lanchonete e que as histórias ali pareciam a minha.

 

Os adultos olhavam para a chuva com raiva, talvez pensando que a chuva devia ter esperado eles chegarem em casa para cair. Pegavam os celulares e conferiam, nervosamente, as mensagens ou mandavam alguma, avisando que se atrasariam para o compromisso ao qual se dirigiam antes de serem detidos pela bendita chuva.

 

As crianças, por outro lado, estavam achando a situação bastante divertida: pulavam nas poças d'água, riam alto, gritavam de euforia e, para completo desespero dos pais, acabavam saindo um pouco do toldo para sentirem a chuva caindo neles.

 

Quanta alegria! Parecia uma festa! Acredito que nem uma cama elástica, dessas de shopping center, traria mais alegria naquele momento. A chuva era suficiente. A água caindo e respingando para todo lado era imensamente agradável para as crianças e tão medonhamente irritante para os adultos.

 

Aí olhei para minha filha, ela tinha sido afetada pela minha aflição e dizia: “Vixe, mamãe, vai demorar a passar!”. Coitada, ela estava com pensamento de adulto devido a minha pressa habitual. Senti uma pontada no coração. Ela era criança e devia estar se divertindo com a chuva como as crianças do outro lado da rua estavam. Então sorri pra ela e disse: “ Que bom que vai demorar, né, filha? Assim podemos ficar aqui admirando a chuva que 'chove' sem pressa”. E aí ela relaxou também, começou a sorrir e a pular, como toda criança deve fazer. Disse a ela: “vamos andar na enxurrada?”. Ela olhou para mim espantada e com um sorriso imenso nos lábios, concordou.

 

A chuva estava bem fininha, mas a enxurrada subia por toda a calçada... seria inevitável molhar os pés e parte das pernas, mas seria divertido. Puxei as barras de suas calças para cima do joelho e fiz o mesmo com as minhas. Retirei minhas sandálias, peguei as sacolas, agarrei a mãozinha dela e pisamos na água.

 

Ah, gostaria que vocês pudessem ver a cena: ela ria alto, gritava alegre e conversava sem parar. A experiência parecia surreal, as pessoas riam ao olhar para nossa alegria; sim, porque nessa altura da aventura, eu ria e falava tão alto quanto ela. Era uma alegria contagiante!

 

Quando entramos no carro, e pudemos seguir nosso caminho, fiquei pensando o quanto a gente perde por nos obrigarmos a uma vida tão agitada. Quanta alegria nos privamos por simplesmente não termos tempo pra nada. Não que trabalhar não traga alegria, a mim traz bastante, mas é preciso curtir momentos de desaceleração, momentos como esse de descontração e entrega. Quantos, por exemplo, pararam um instante para ler este texto?

 

Agora proponho a você uma parada, uma desacelerada. Faça de conta que está  chovendo muito e que a única coisa que você ainda pode fazer é chamar os amigos, não para beber ou comer, como muitos podem pensar, mas para relaxar e se divertir ao mesmo tempo. Vale jogar xadrez ou até mesmo um desses outros jogos de tabuleiro que nos fazem rir à beça. Se não quiser ficar em casa, vá a um desses clubes de xadrez físicos – virtual não serve – e conclame a todos para viverem uma tarde feliz e descontraída, ainda que por força da natureza.

 

* Sobre a autora: Vanessa Alves Rodrigues é jogadora e árbitra de xadrez, responsável pela empresa Clube de Xadrez Online. Está traduzindo do inglês para o português a coleção Xadrez Marvel, que tem 64 fascículos e é comercializada em bancas de jornal de todo o país. Sua formação acadêmica é em administração de empresas, com pós-graduação em psicologia organizacional e tradução. É funcionária pública municipal e professora de inglês no CNA.
 
 

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