Crônica de São Paulo I
Crônicas Por Vanessa Alves Rodrigues Quarta-Feira, 19 de agosto de 2015

 

Vanessa Alves Rodrigues

Crédito da imagem: Gérson Peres/CXOL

 

Parte II

 

Por Vanessa Rodrigues*

 

Não há nada que eu possa dizer a respeito da mega cidade de São Paulo que já não tenha sido dito antes.

 

Porém, é certo que cada pessoa que experimenta a cidade por um certo tempo, incorpora suas próprias impressões sobre os aspectos relacionados à rotina dessa incrível capital.

 

Já estive em São Paulo por diversas vezes e em cada uma delas conheci lugares, pessoas e rotinas diferentes que em algum momento se cruzam na agitada vida paulistana que surge e ressurge por entre milhares de carros, inúmeros prédios e a multidão de crianças, adolescentes e adultos que se espreme na tentativa de conseguir um lugar no ônibus ou no metrô e então seguir para casa, já intencionando encarar com fé e coragem toda a agitação que certamente virá no dia seguinte.

 

Como uma mineirinha, nascida e criada em uma pequena e pacata cidade do interior, confesso que me perturbo com a arruaça que faz o vai-e-vem de pernas (sim, porque quando estou no meio da muvuca, tento mirar no chão e seguir a multidão, olhando, então, o balé que fazem com os pés rsrs) e carros e ônibus e o burburinho dos celulares, rádios e conversas cruzadas que parecem ser levadas pelo vento e que parecem replicar como um eco sem fim.

 

Essa minha última experiência nesta mega city foi bem interessante, pois, sozinha e com uma mochila recheada de valores – eu carregava uma máquina fotográfica semiprofissional, um celular e um notebook, mais valiosos pelo conteúdo do que propriamente pelo valor de mercado – eu me vi sendo levada para a Praça da República, apesar dos olhos estupefatos de todos a quem eu dizia para onde ia.

 

Pois bem, na tentativa de evitar influências nefastas da minha própria mente acostumada a ver os noticiários não muito animadores da TV, eu tentava me fixar apenas na missão que havia me proposto a executar: chegar ao Clube de Xadrez São Paulo para então entrevistar o seu vice-presidente: Celso Freitas.

 

De onde eu estava, sabia que teria que tomar um ônibus e um metrô para chegar à famosa Praça da República, mas, sem saber exatamente o por quê, acabei tomando apenas um ônibus que animadamente, leia-se rapidamente, transitou por regiões bem movimentadas da cidade até chegar ao meu destino final.

 

Preciso abrir um parêntese aqui para dizer que passei por regiões muito bem conhecidas pelos lojistas da minha cidade Paraíso (São Sebastião do Paraíso/MG), os famigerados Braz e 25 de Março, centros movimentadíssimos de compras populares, onde sonhos de consumo se tornam realidade.

 

Uau, que alvoroço! Isso porque já passava das 3 horas da tarde de sábado! E essa é a primeira impressão que ficou em mim desde a primeira vez que estive em São Paulo: que o povo dessa cidade trabalha demais, acho até que não descansam nunca. Parecem formiguinhas carregando o doce de um lado para o outro, sem se importar com os obstáculos do caminho, os quais vão contornando e passando, contornando e passando... numa dança sem fim.

 

Mas esse é um alvoroço gostoso de se ver – e de viver também – porque já estive nestes bairros algumas vezes e a adrenalina que rola por lá é algo contagiante. Depois que a gente vai embora, ainda leva um bom tempo pra desacelerar e voltar à rotina das pequenas cidades, que também é agitada, mas que está longe de alcançar a loucura dos grandes centros de compras populares de SP.

 

Voltando a minha jornada Carrão – Praça da República, devo dizer que é quase certo que você encontre, dentro do ônibus, aquela pessoa que se parece com um parente ou com um amigo seu e que, seguramente, se dedicará a te ajudar, sem nenhum outro interesse que não o de ser útil, a chegar ao seu ponto final.

 

Sim minha gente, porque no metrô eles avisam que estação será a próxima e você tem painéis para acompanhar o movimentar do trem, mas, e no ônibus? Como é possível saber onde descer? Descobri essa dificuldade quando, já cansada de procurar alguma indicação que facilitasse minha vida, percebi que estava ao Deus dará e que, como uma boa mineirinha, teria que arrastar conversa mole para alguma simpática senhorinha ou algum prestativo senhorzinho que pudesse me ajudar a sintonizar meu local de desembarque.

 

Dessa vez escolhi, pela simpatia, o próprio cobrador do ônibus. Um jovem senhor de pouco mais de 50 anos, com um sotaque ainda carregado do nordeste do Brasil.

 

Aliás, essa é outra impressão que fica: que São Paulo não tem paulistanos. Sim porque quase todas as pessoas com quem você conversa carregam algum sotaque de qualquer outra região do Brasil que não aquela na qual decidiu morar e trabalhar.

 

E sabe o que é mais engraçado? Eles conversam com você e já perguntam: - Você não é daqui não, né? Aff, até parece que eles são!

 

Bom, regionalismos a parte, segui com minha “viagem” - digo isso porque transitar em São Paulo é o mesmo que empreender uma viagem, já que os lugares são tão distantes uns dos outros – e cheguei ao destino que havia traçado: a Praça da República, um lugar intensamente movimentado e que requer uma dose extra de atenção de pessoas distraídas como eu.

 

Após ter sido muito educadamente direcionada pelo cobrador do ônibus, rumei para a Rua Araújo, lar do Clube de Xadrez São Paulo, com, diga-se de passagem, bastante tranquilidade. Ou seja, o monstro está mais na cabeça das pessoas do que necessariamente nos lugares onde acreditam vê-los.

 

É claro que atenção e cuidado são requisitos essenciais quando se transita por lugares que não se conhece, mas, medo exagerado também não ajuda em nada.

 

Pois bem, chegando ao terceiro andar do prédio que sedia o clube, fui recebida com muita gentileza por um rapaz que, infelizmente, não guardei o nome (ou talvez não tenha sequer perguntado – que falta de educação a minha!) e perguntei a ele pelo meu alvo: Celso Freitas, que estava no clube para os eventos habituais de sábado a tarde e também para me esperar, posto que minha visita já havia sido previamente acordada.

 

Apresentações iniciais feitas, tratei de ajeitar o material para realizar a entrevista que havia me levado ao Clube de Xadrez São Paulo e, qual não foi minha surpresa ao reparar que a máquina estava sem o cartão de memória??

Eita, por essa eu não esperava! Sabe qual foi o resultado disso? Tive que transitar mais uma vez por lugares desconhecidos na tentativa desesperada de encontrar uma cartão de memória para comprar e assim não perder minha “viagem”.

 

E, exatamente nestes momentos de profundo desespero, a vida coloca em nossa frente verdadeiros anjos de compaixão, que se doem com nossa situação e se propõem a ajudar, custe o que custar. E os meus anjos de compaixão foram o próprio Celso que se dignou a deixar seus afazeres no clube e ir comigo encontrar um lugar para comprar o cartão e o rapaz ao qual não perguntei o nome, que, além de me indicar um lugar para comprar, se disponibilizou a cuidar de meus pertences enquanto eu estivesse empreendendo a aventura de transitar pela Praça da República em busca do item mais valioso para mim naquele momento – o bendito cartão de memória.

 

Com pessoas de bem a sua volta fica impossível não conseguir o que se quer e então, depois de ajeitar a máquina com um novíssimo cartão de memória, iniciei a entrevista que fez valer todo o esforço comentado até agora.

 

Com muita paciência, o Celso falou um pouco sobre o esse local que transpira xadrez e sobre os eventos que aconteceriam ali nos meses seguintes, pontuando, inclusive a retomada das atividades do clube após o irreversível terremoto digital, que fez balançar as estruturas de muitos clubes de xadrez físicos Brasil afora.

 

Durante toda a nossa entrevista, devo dizer que tive a ajuda de outro prestativo rapaz, esse já bem conhecido nos meios enxadrísticos: o MF Adriano Caldeira, que também, muito gentilmente, porém com um pouco de relutância, decidiu me conceder uma entrevista que transcorreu da melhor maneira possível.

 

Friso aqui que as entrevistas desses dois distintos cavalheiros podem ser encontradas aqui no site do Clube de Xadrez Online (www.clubedexadrezonline.com.br) e também na fanpage do CXOL no Facebook.

 

Quando saí do Clube de Xadrez São Paulo, deixei para trás um aventura feliz que me fez sentir vitoriosa por ter conseguido chegar até ali sem conhecer nada e nem ninguém, sentir realizada por ter cumprido com o propósito pretendido, e me sentir grata por ter tido a honra de ter encontrado pessoas divinamente inspiradas a ajudar e a ceder seu tempo e atenção a alguém que nunca viram e que, provavelmente, nunca mais verão.

 

Assim é o ser humano que gosto de lidar: digno e lutador, que não perde a essência de ser a cada dia mais e mais “gente”, more ele em uma mega ou uma mini cidade.

 
* Sobre a autora: Vanessa Alves Rodrigues é jogadora e árbitra de xadrez, responsável pela empresa Clube de Xadrez Online. Está traduzindo do inglês para o português a coleção Xadrez Marvel, que tem 64 fascículos e é comercializada em bancas de jornal de todo o país. Sua formação acadêmica é em administração de empresas, com pós-graduação em psicologia organizacional. Atualmente faz uma nova pós, esta na área de tradução. É funcionária pública municipal e professora de inglês no CNA.

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